Boa tarde!
Hoje fui surpreendida por um belo texto que me fez refletir muito. Sábias palavras, verdadeiras e certeiras!
Espero que vocês também gostem, tanto quanto eu.
Morre lentamente quem não troca de ideias, quem não troca de discurso, quem não avança, quem evita as próprias contradições. Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo
todos os dias os mesmos trajetos, as mesmas compras, os mesmo lugares; quem não muda de marca, não se arrisca
a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru e seu parceiro diário.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o preto no branco, os pontos sobre os “is” ao invés de um redemoinho de emoções, das que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo, quem não ri dos próprios defeitos.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem não trabalha, nào estuda, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Morre muita gente lentamente e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante. Amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menos a gente evite a morte em suaves prestações. Lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior do que simplesmente respirar.
Pablo Neruda.
